Por Adriana Passari - @adrianapassari
Eu tive um sonho
Eu tive um sonho, literal, não idealizado. Acordei de madrugada estranhando estar entre os lençóis e travesseiros da minha cama, porque eu nitidamente estava em outro lugar segundos antes de abrir os olhos. E no meio desse sonho eu brigava com a tecnologia de um pequeno microfone que teimava em apresentar falhas no meio do meu discurso acalorado sobre um tema que eu tanto admiro que é a cultura da negritude e o seu espaço de fala nas mídias hoje tão relativizadas, esparsas e disponíveis, por meio dos canais eletrônicos e seus emissores individualizados.
Uma negritude que não vivo na pele, nesta existência, mas na alma, como alguém que idealiza um mundo onde todas as crianças sendo pretas, brancas, indígenas ou orientais não são contaminadas por conceitos e preconceitos que os diferem pelo formato e cor dos seus olhos, sua pele, seu cabelo.

Ainda no sonho, olho para o meu pretenso público e vejo olhos sedentos e vozes famintas por um tropeço em minha fala. Sinto-me vigiada e ao mesmo tempo sinto o calor da chama de quem ateia fogo para chamar atenção à sua causa. Uma causa que não é só sua, mas de toda humanidade. Acordo do meu sono real. Persisto em sonhar, mas agora desperta, sei que não basta. É preciso agir.
Ouça a história na voz de Adriana Passari: